História

Breve história do ensino em Vale de Cambra... até aos nossos dias.

O aparecimento do Ensino Liceal em deve-se a um projecto do Dr. Arnaldo Soares de Pinho, Dr. Mendes e Dr. Emes Ribeiro que tiveram a iniciativa, no início dos anos quarenta, de fundar um curso de explicações, por não possuírem alvará que lhes permitisse funcionar como colégio, e cujo objectivo era a preparação de alunos do 1.° ciclo liceal que englobava o 1.°, 2.° e 3.° ano do liceu.

O curso funcionava então nas instalações de uma casa, situada na Avenida Camilo de Matos, junto à empresa Lacto-Lusa, sendo frequentado por sete alunos, cinco dos quais no 1.° ano e dois no 3.° ano, que tinham vindo como repetentes do colégio de Oliveira de Azeméis.

Com o decorrer do tempo, o número de alunos foi aumentando, até que, uma queixa por parte do director do colégio de Oliveira de Azeméis, apresentada à Inspecção do Ensino Particular, resultou na vinda de um inspector que determinou o encerramento do curso.

Perante esta situação os mentores do projecto solicitaram à Inspecção do Ensino Particular, autorização para o funcionamento de um colégio particular em Vale de Cambra, sendo-lhe concedido um alvará provisório que criou o "Colégio de Vale de Cambra" cujo primeiro director foi o Dr. Mendes, seguindo-se-lhe na direcção o Rev. Joaquim de Oliveira Maurício, natural de Roge e pároco em Vila Chã (Apêndice documental, doc. n.° l).

Contudo, existiam vários problemas que tinham de ser resolvidos, sendo o mais importante o das instalações, dado que as mesmas não tinham as condições mínimas exigidas. Este problema veio a ser resolvido com o arrendamento de um edifício, então em construção, propriedade do industrial António Moreira de Paiva. Após negociações e, uma vez que o edifício estava ainda em construção é acabado de acordo com as suas finalidades educativas recebendo a aprovação da Inspecção do Ensino Superior. Assim, o colégio foi transferido para o seu primeiro edifício próprio, situado no lugar de Ramilos, em Macieira de Cambra.

Inaugurado em 1945, começou efectivamente a funcionar o então "Externato Cambrense" criado pelo alvará n.° 898.

O colégio funcionou aí durante uns anos, sendo depois transferido para um edifício na sede do concelho, a Casa do Coutinho de Cabril, onde funciona actualmente o Tribunal de Vale de Cambra.
Entretanto, vários problemas vão sendo levantados pela Inspecção Superior do Ensino Particular, entre os quais novamente o das instalações que se haviam tornado insuficientes dado o aumento da frequência de alunos.

Perante esta situação, e em presença de medidas oficiais cada vez mais exigentes, tendo como objectivo a valorização de ensino, a Inspecção do Ensino Superior emitiu o parecer de que as instalações eram incompatíveis com a higiene escolar e com o rendimento do ensino, estando também desprovidas de conforto (vide doc. n.° 2) e manda encerrar o colégio, no ano de 1961 por despacho ministrial de 20 de Abril, sendo-lhe tirado o alvará (vide doc. n.° 3).

Face a esta situação e depois de reprovado um plano de obras proposto pelo Dr. Arnaldo, com o fundamento de que uma solução capaz implicava a demolição do edifício, comprometeu-se o mesmo, perante o Inspector Superior do Ensino Particular, a construir um edifício próprio segundo um projecto orientado pela mesma repartição e sujeito à aprovação do Ministério da Educação Nacional (vide doc. n.° 4).

Em face deste compromisso é dada uma autorização para se continuar com o ensino nas antigas instalações pelo período de um ano (vide doe. n.° 5). Entretanto foi requerido um novo alvará, com um novo nome para o colégio que passa a designar-se "Externato Alexandre Herculano", por vontade do proprietário que nutria por Alexandre Herculano uma enorme admiração.

O externato é oficializado através da Autorização Provisória do Ministério da Educação Nacional n.° 439, datado de 4 de Setembro, que permitia o funcionamento por um ano do ensino primário e liceal (vide doc. n.° 6, frente).

Enquanto o novo edifício estava a ser construído, a autorização de funcionamento ia sendo sucessivamente revogada, o que aconteceu até ao ano de 1965, data em que ficou concluído o novo edifício, propriedade do Dr. Arnaldo e onde actualmente funciona a Escola Preparatória de Vale de Cambra (vide doe. n.° 6, verso).

Este novo edifício cuja construção foi iniciada no ano de 62 era um projecto da autoria do arquitecto oliveirense, Leonardo Dias, também ele professor do Externato.
No ano de 1968 é dado ao Externato Alexandre Herculano já então a funcionar no novo edifício o alvará n.° 1843 que permitia o funcionamento do ensino primário e liceal -1.° e 2.° ciclos (vide doc. n.° 7 - frente).

Os alunos que frequentavam o externato tinham inicialmente que fazer os seus exames em Aveiro, distrito a que Vale de Cambra pertencia estando integrado na sua Direcção Escolar. Mais tarde, a direcção do colégio, por vários motivos, pede ao Ministério da Educação Nacional autorização para que os exames sejam feitos no Porto nos liceus Alexandre Herculano e Rainha Santa Isabel, para os alunos do sexo masculino e do sexo feminino respectivamente. Posteriormente, os exames passaram a ser feitos em Vale de Cambra dado o aumento do número de alunos (vide doc. n.° 8).

A direcção do colégio, foi assumida pelo Dr. Armindo Ferreira de Matos e pelo Dr. Arnaldo Soares de Pinho (vide docs. n.° 9 e 10).
Entretanto por despacho ministrial de 15 de Setembro de 1969, foi autorizado o funcionamento do Ciclo Preparatório do Ensino Secundário no Externato Alexandre Herculano (vide doc. n.° 7 verso) ao abrigo da reforma do ensino levada a cabo nesse mesmo ano que cria precisamente um novo ciclo de ensino denominado "Preparatório do Ensino Secundário" através da lei n.° 47480 de 2 de Janeiro de 1967.

Surge assim a Escola Preparatória Afonso Anes de Cambra, cujo primeiro director foi o Dr. Carlos Almeida e que desde sempre funcionou no rés-do-chão do edifício onde ainda funciona actualmente, alugado ao seu proprietário Dr. Arnaldo, enquanto o colégio funcionava no 1.° andar.

A concorrência do ensino oficial gratuito provocou a diminuição do número de alunos, o que conduziu à extinção do ensino particular no concelho, não só porque os encargos a nível de professores e instalações tornavam o projecto pouco rentável mas também porque no ano de 1969/70 foi criado o ensino oficial com a instalação, no edifício onde havia funcionado o Externato Cambrense, de uma Secção da Escola Industrial de Oliveira de Azeméis.

No ano de 1973, todo o edifício do Externato Alexandre Herculano foi alugado, sendo criada uma Secção Liceal do Liceu de Vila Nova de Gaia extinguindo-se o Ensino Particular.

Escola Secundária de Vale de Cambra

Em Outubro de 1970 surge o Ensino Técnico em Vale de Cambra com a criação da secção de Vale de Cambra da Escola Industrial e Comercial de Oliveira de Azeméis e que arrancou com os cursos diurnos de Formação Feminina, Geral de Comércio e Electromecânica dividido nos ramos de Mecânica e Electricidade e os cursos nocturnos de Aperfeiçoamento de Comércio e Aperfeiçoamento Electromecânico dividido nos seus dois ramos.

Na altura o número de alunos rondava os 180 e o quadro da escola era constituído por 16 professores; l auxiliar administrativo e 2 elementos do pessoal auxiliar, sendo seu sub-director o Dr. António Vide.

Em 1973 é criado o ensino liceal com a abertura de uma Secção do Liceu de Vila Nova de Gaia sendo nomeada subdirectora a Dr.ª Maria Emitia Ventura (vide doc. n.° 11).
A escola funcionava com 4 turmas do 3.° ano; l turma do 4.° ano e l turma do 5.° ano, num total de 151 alunos.

Em Julho de 1974 surgiu a Escola Secundária de Vale de Cambra resultante da fusão das duas anteriores. A sua criação deu-se ao abrigo da Reforma Educativa surgida após o 25 de Abril de 1974, sendo oficializada pelo decreto-lei n.° 260-B/75 de 26 de Maio (vide doc. n.° 12) e cujo objectivo era a unificação do ensino técnico o liceal através da criação do ensino unificado.
Quanto à direcção e gestão da escola e, face à sua autonomia, cria-se, ainda em 1974, uma comissão Administrativa presidida pelo Dr. José Nogueira, sendo a transmissão de poderes feita em Agosto de 1974 (vide doc. n.° 13).

Depois disto, face ao disposto na lei e dentro deste novo contexto, surgem na gestão dos estabelecimentos de ensino os Conselhos Directivos, em substituição dos antigos Directores (vide doc. n.° 14).

Em relação aos cursos em funcionamento, leccionou-se o Ensino Unificado (7°. 8° e 9° anos) até 1977/78, dado que no ano seguinte, 1978/79, são criados os primeiros cursos complementares (10.° e 11.° anos) das áreas de Económico-Sociais e Cíentifico-Tecnológicos, bem como os cursos complementares nocturnos de Contabilidade e Administração e de Mecanotécnia. Também os cursos liceais nocturnos começam a funcionar nesse ano.

No ano seguinte surge o complementar de Científico-Naturais e em 80/81 o de Humanísticas, passando a funcionar na escola quatro áreas dos cursos complementares.

Em 1981/82 é criado o 12.° ano na sequência dos complementares criados anteriormente, funcionando no seu 1.° ano com o 1.° e 2.° cursos; no ano seguinte, foram acrescentados o 3.° e 4.° cursos.

A abertura dos cursos complementares é paralela á mudança para as actuais instalações, inauguradas em 1978 e localizadas a l Km do centro urbano, numa zona ainda verde.

Na altura da mudança para as novas instalações, construídas pela Direcção Geral dos Equipamentos Educativos sob modelo californiano, o edifício era constituído por cinco blocos, surgindo mais um, no ano de 1987/88, data também da construção do Pavilhão Gimnodesportivo.

Em 1986/87 são criados os cursos Técnico - Profissionais com os cursos de Manutenção Mecânica e Indústrias -
-Alimentares, este último extinto mais tarde, por falta de alunos e os cursos Profissionais de Auxiliar Administrativo e de Mecânico.

Neste ano, em que a escola comemora os 20 anos da sua existência, a população discente atinge os 1769 alunos, sendo 1437 diurnos e 332 nocturnos, distribuídos por 37 turmas do 3.° ciclo, 17 turmas do complementar, 8 turmas do 12.° ano, nos cursos diurnos e ainda 8 turmas dos cursos gerais, 5 dos complementares e 2 do 12.° ano nocturnos.

No ensino secundário, o 10.° ano funciona com 4 turmas do agrupamento I, área de Científico-Naturais dos cursosorientados para o prosseguimento de estudos e o curso predominantemente orientado para a vida activa da Mecânica, 4 turmas do agrupamento III, área de Económico-Sociais dos cursos orientados para o prosseguimento de estudos e o curso predominantemente orientado para a vida activa de Administração e 2 turmas do agrupamento IV, área de Humanidades dos cursos orientados para o prosseguimento de estudos. No 11.° ano existem 9 turmas distribuídas pelas áreas A, B, C e D, isto é, os cursos de Científico-Naturais, Científico-Tecnológicos, Económico-Sociais e Estudos Humanísticos e ainda o 1.°, 2.° e 3.° cursos do 12.° ano, bem como 2 turmas do Técnico Profissional, uma de Contabilidade e Gestão e a outra de Manutenção Mecânica.

Quanto ao quadro da escola, o número de professores é de 170, 9 funcionários administrativos, 24 funcionários auxiliares de apoio e 7 funcionários contratados.